O gráfico de Pareto permite visualizar as causas mais relevantes de um problema

Gráfico de Pareto: o que é e exemplos de aplicação em logística

16 abr 2026

O gráfico de Pareto é uma ferramenta fundamental na melhoria de processos e no gerenciamento da qualidade. Permite visualizar de forma simples e clara as causas determinantes de um problema, priorizando assim os esforços de análise e intervenção. Baseado na lei de Pareto, esse gráfico ajuda as empresas a concentrar seus recursos nos fatores que geram um maior impacto em suas operações.

Neste artigo, explicamos o que é o gráfico de Pareto, sua função, como é elaborado, suas principais aplicações em diferentes setores e oferecemos um exemplo prático aplicado à logística e ao gerenciamento de armazéns.

O que é o gráfico de Pareto

O gráfico de Pareto é um gráfico de barras que mostra, em ordem descendente, a frequência ou repercussão de diferentes causas em um problema. Nele, as barras são ordenadas de maior para menor importância e inclui uma linha acumulativa que indica a porcentagem total acumulada para ilustrar rapidamente as razões mais relevantes.

A imagem mostra um exemplo genérico do gráfico de Pareto
A imagem mostra um exemplo genérico do gráfico de Pareto

Ao ordenar os dados do maior para o menor, o gráfico proporciona uma visão nítida das razões mais importantes de um problema e indica quais oferecem uma menor influência. Com essa representação visual é mais fácil direcionar esforços e recursos para fatores que fazem a diferença, sem se perder em questões secundárias.

O gráfico se fundamenta na lei de Pareto, que estabelece que aproximadamente 80% dos efeitos provêm de 20% das causas. Esse princípio é um conceito teórico que descreve um padrão de concentração de causas e efeitos, e o gráfico de Pareto traduz essa lógica em uma representação visual que ajuda a identificar e priorizar a origem de um problema.

Qual a função do gráfico de Pareto

O gráfico de Pareto é utilizado para priorizar problemas e causas no âmbito de qualquer processo empresarial. Sua principal função é determinar as razões que geram a maior parte dos efeitos negativos ou incidentes na qualidade dos produtos ou serviços, possibilitando às empresas:

  • Visualizar padrões de problemas. Detectar graficamente os fatores que são recorrentes e os que têm menor importância.
  • Dedicar recursos ao mais relevante. Focar nas causas com maior incidência, evitando dispersar esforços.
  • Medir a eficácia das melhorias. Após aplicar ações corretivas, o gráfico pode ser atualizado para comprovar se os problemas críticos foram reduzidos.

Segundo a American Society for Quality (ASQ), é recomendável utilizar o gráfico de Pareto para analisar dados sobre a frequência de problemas ou causas em um processo, sobretudo quando existem diversos fatores e se pretende focar a atenção nos mais significativos, ou ao analisar causas gerais através de seus componentes específicos.

O gráfico de Pareto permite identificar e reduzir os problemas que afetam a eficiência logística
O gráfico de Pareto permite identificar e reduzir os problemas que afetam a eficiência logística

Como fazer um gráfico de Pareto

Elaborar um gráfico de Pareto é um processo simples, no entanto exige seguir uma série de passos bem definidos para garantir sua utilidade e precisão:

  1. Identificar o problema. Definir com clareza o fenômeno ou situação que se pretende analisar, como defeitos em produtos, incidentes em pedidos ou falhas em um processo. Uma definição precisa é essencial para fazer uma análise eficaz.
  2. Coletar dados relevantes. Registrar e compilar informações sobre a frequência ou influência de cada causa ou fator relacionado ao problema. Todos os dados devem corresponder a um período de tempo determinado e ser medido com a mesma unidade (por exemplo, número de incidentes, custos ou duração).
  3. Agrupar e ordenar as causas. Classificar as causas ou fatores em categorias únicas e ordená-las da maior para a menor de acordo com sua regularidade ou repercussão. Dessa forma, é possível visualizar as que mais contribuem para o problema.
  4. Calcular porcentagens e acumulados. Determinar a porcentagem que representa cada causa sobre o total e seu valor acumulado. Esse passo permite aplicar o princípio 80/20, que é útil para distinguir as principais causas das secundárias.
  5. Construir o gráfico. Representar os dados em um gráfico de barras com as causas no eixo horizontal, ordenadas de esquerda para a direita de acordo com seu impacto (da maior para a menor relevância). O eixo vertical esquerdo mostra a frequência ou magnitude, enquanto o direito traça a linha acumulativa que indica a porcentagem acumulada.
  6. Analisar e interpretar os resultados. Identificar as principais causas que representam aproximadamente 80% do problema. Através dessas informações é possível priorizar ações corretivas e focar em fatores que proporcionem uma maior melhoria.

Esse procedimento, habitual no gerenciamento da qualidade e na melhoria contínua, assegura que a análise de Pareto reflete com exatidão a realidade do problema facilitando uma tomada de decisão orientada para a ação.

Aplicações do gráfico de Pareto nas empresas

O gráfico de Pareto é aplicado em diversas áreas operacionais como ferramenta para impulsionar a melhoria contínua e otimizar a tomada de decisão:

  • Controle de qualidade. Detecta as causas mais comuns de defeitos ou falhas nos produtos, o que ajuda a focar as ações corretivas nos pontos críticos, limitar rejeições e aumentar a satisfação do cliente.
  • Atendimento ao cliente. Permite detectar as principais razões das reclamações ou incidentes, facilitando o desenvolvimento de soluções eficazes e uma boa experiência para o usuário.
  • Produção. Indica os fatores que afetam a eficiência ou a produtividade, tais como paradas frequentes ou variações nos processos, e contribui para priorizar as melhorias com maior impacto no desempenho operacional.
  • Manutenção. É utilizada para determinar a origem principal das falhas, avarias ou perdas de eficiência em equipamentos e instalações com a finalidade de priorizar as ações corretivas ou preventivas mais eficazes.
  • Logística e armazém. Detalha os erros mais habituais na preparação, armazenamento ou envio de pedidos, o que otimiza fluxos de trabalho, restringe devoluções e melhora o desempenho da cadeia de suprimentos.

Em todas essas áreas, o gráfico de Pareto direciona os esforços para as causas dos problemas com maior potencial de melhoria, garantindo um uso mais eficiente dos recursos e um retorno tangível das ações implementadas.

Exemplo do gráfico de Pareto em logística

Imaginemos a aplicação do gráfico de Pareto em uma empresa que detecta um número elevado de erros na preparação de pedidos, uma situação que reduz a satisfação do cliente e gera custos operacionais adicionais.

  • Compilação de dados. Durante um mês a empresa registra os incidentes de acordo com seu tipo: seleção de artigos incorretos, erros de etiquetagem, pedidos incompletos ou quantidades inadequadas em pedidos, entre outros.
  • Organização e ordenação. Os dados são agrupados e ordenados da maior para a menor frequência visando identificar as causas mais repetidas.
  • Análise gráfica. O gráfico de Pareto revela que os erros na seleção de artigos representam 50% dos incidentes, a etiquetagem incorreta 20% e os pedidos incompletos 15%.
  • Tomada de decisão. Com essas informações, a empresa foca seus esforços de melhoria nos erros de picking, aplicando medidas como a implantação de sistemas goods-to-person, por exemplo, através de um armazém para caixas miniload, Sistema Shuttle ou robôs móveis autônomos (AMR), assim como utiliza um sistema de gerenciamento de armazém para reforçar a rastreabilidade e reduzir os incidentes.
  • Resultados. Os erros mais graves diminuem significativamente e os incidentes menos comuns sofrem uma redução progressiva através de ações complementares.

Essa abordagem permite concentrar os recursos nas principais causas, obtendo um impacto imediato e mensurável, enquanto melhorias graduais são planejadas para os restantes processos.

Exemplo do gráfico de Pareto em logística
Exemplo do gráfico de Pareto em logística

A importância do gráfico de Pareto na melhoria de processos

O gráfico de Pareto é uma ferramenta prática que permite às empresas identificar e priorizar os problemas mais urgentes em qualquer área operacional. Baseado na lei de Pareto, permite canalizar os esforços nas causas que geram maior impacto e avaliar a eficácia das ações corretivas.

Aplicado em âmbitos como os da logística, produção, qualidade ou atendimento ao cliente, ajuda a melhorar a produtividade e a otimizar recursos. Integrar o gráfico de Pareto no gerenciamento empresarial é um passo decisivo para a melhoria contínua e excelência operacional.

O gráfico de Pareto em 5 perguntas

Em que consiste o gráfico de Pareto?

O gráfico de Pareto é uma ferramenta gráfica que identifica as causas mais significativas de um problema. Ordena os fatores do maior para o menor impacto, priorizando ações corretivas. Baseia-se no princípio de que poucos fatores geram a maior parte dos efeitos.

O que é o 80/20 no gráfico de Pareto?

O princípio 80/20 indica que, em muitos casos, 80% dos efeitos provêm de 20% das causas. Aplicado ao gráfico de Pareto, esse conceito permite detectar os fatores mais influentes no surgimento de incidentes logísticos e concentrar esforços para resolver aqueles que geram maior impacto.

Como elaborar o gráfico de Pareto?

Para elaborar o gráfico de Pareto, é necessário identificar a raiz de um problema, compilar os dados, com a frequência sendo ordenada da maior para a menor, e fazer a representação em um gráfico de barras com uma linha acumulativa. Essa análise visual mostra as razões que contribuem em maior medida para o problema.

Como interpretar o gráfico de Pareto?

O gráfico de Pareto é interpretado observando as causas ou categorias que acumulam aproximadamente 80% dos efeitos. Essas são as áreas prioritárias para atuar. A linha acumulativa ajuda a visualizar o ponto onde concentrar esforços para conseguir o maior grau de melhoria possível.

Como usar o gráfico de Pareto em logística?

Em logística, o gráfico de Pareto é utilizado para identificar as causas mais comuns de erros no armazenamento, preparação ou envio de pedidos. Portanto, é possível priorizar melhorias que reduzam devoluções, otimizem fluxos operacionais e aumentem a eficiência geral da cadeia de suprimentos.