Os caminhões de carga descarregam no armazém como parte das operações de cross-docking

O que é cross docking? Tipos e como funciona

07 Fevereiro 2020

O cross docking é um tipo de preparação de pedidos em que a mercadoria é distribuída diretamente ao usuário sem passar por um período de armazenamento prévio. Pouco importa se os produtos são matérias-primas, artigos acabados ou componentes destinados a fábricas, lojas físicas ou clientes finais. O cross docking pode adaptar-se a qualquer um desses cenários.

Seguindo a estratégia de cross docking, a mercadoria permanece no armazém por muito pouco tempo após seu recebimento. Além disso, ela não é colocada nas estantes, por isso, não é necessário fazer o processo de picking. Aí está a origem do termo em inglês, pois a operação simplesmente exige atravessar as docas do armazém (cross the docks).

Vejamos em detalhes para que serve esta atividade logística e os tipos de cross docking mais habituais.

Como funcionam as operações de cross docking?

Em uma cadeia de suprimentos tradicional, o armazém representa um elo crucial que conecta os fornecedores (oferta) aos consumidores (demanda). Esse fluxo é descontínuo, dado que a oferta e a demanda não estão sincronizadas e o elo de união se baseia na figura do armazém. Nele a mercadoria é armazenada até que a demanda seja ativada.

Modelo de cadeia de suprimentos tradicional
Modelo de cadeia de suprimentos tradicional

No entanto, o avanço dos sistemas de informação e softwares aplicados à logística originou cadeias de suprimentos cada vez mais ágeis e integradas. Diante desse contexto o cross docking se populariza, pois, um requisito imprescindível para que funcione de forma bem-sucedida é a coordenação perfeita de todos os envolvidos: fornecedores, armazenistas, transportadores e usuários finais.

Inclusive dentro da própria instalação é necessário contar com um sistema de gerenciamento de armazéns (WMS) potente como ferramenta imprescindível para responder com eficácia às exigências do cross docking.

Modelo de cadeia de suprimentos com <em>cross docking</em>
Modelo de cadeia de suprimentos com cross docking

Fases do cross docking

Em geral, podemos concluir que as principais fases da operação de cross docking são:

  • 1. Programação da distribuição por parte dos fornecedores.
  • 2. Recebimento da mercadoria no armazém.
  • 3. Registro e revisão da carga recebida como parte do processo de controle de qualidade.
  • 4. Volta a embalar, consolidação dos pedidos (se for necessário) e expedição da mercadoria.

Tipos de cross docking

A atividade de cross docking pode ser realizada com diferentes unidades de carga (paletes, caixas, kits…). Existem diferentes formas de organizar as tipologias de cross docking, mas se seguirmos os passos exigidos para realizá-lo podemos destacar:

1. Cross docking pré-distribuído

O pré-distribuído representa o modelo de cross docking mais básico. Nele, as unidades de carga já são preparadas e organizadas por parte do fornecedor considerando a demanda final. Portanto, a operação de cross docking “se reduz” ao receber a mercadoria e expedi-la exigindo pouca intervenção dos trabalhadores do armazém.

2. Cross docking consolidado

Em um esquema de cross docking consolidado, a mercadoria deve ser manuseada para ser adaptada aos requisitos do cliente final. Logo as unidades de carga recebidas são transferidas para uma área de cross docking ou área de acondicionamento para serem examinadas e adequadas aos pedidos demandados.

  • Isso pode significar organizar paletes a partir de unidades de carga menores ou ao contrário: dividir a mercadoria em pacotes individuais ou kits de produtos.
O <em>cross docking</em> consolidado implica preparar novas unidades de carga que satisfaçam a demanda do cliente final
O cross docking consolidado implica preparar novas unidades de carga que satisfaçam a demanda do cliente final

3. Cross docking híbrido

Trata-se de um tipo de cross docking mais complexo que consiste em preparar os pedidos na área de acondicionamento com uma parte da mercadoria proveniente dos caminhões recebidos e com outra parte da mercadoria armazenada na instalação. Nesses casos, a mercadoria recebida pode passar para uma área de armazenamento temporário em vez de ser aplicado diretamente o cross docking.

É um tipo de cross docking mais flexível, que permite enfrentar uma maior variedade de casos, mas que também exige uma coordenação eficaz de todas as tarefas ligadas a essa operação.

O cross docking não é um conceito novo, mas muitas empresas estão fazendo uso dele para suprir as necessidades de uma cadeia de suprimentos omnicanal. Em qualquer caso, antes de adicioná-lo às nossas estratégias de preparação de pedidos é importante conhecer as vantagens e desvantagens do cross docking e as situações onde se mostrou uma tática bem-sucedida. Só assim poderemos avaliar a conveniência dessa prática para nossa empresa.