Dados na logística, uma vantagem competitiva
Os dados na logística são um elemento essencial para gerenciar a cadeia de suprimentos de forma eficaz. As empresas necessitam de ferramentas que lhes permitam exercer maior controle sobre suas operações. Ter informações confiáveis e atualizadas não só facilita a coordenação entre os atores envolvidos e a visibilidade dos processos, como também otimiza a eficiência, reduz erros e agiliza a adaptação ao mercado.
Neste artigo descobriremos a relevância dos dados na logística, os tipos que existem na cadeia de suprimentos, as soluções para sua integração e ofereceremos alguns exemplos práticos.
Importância dos dados na logística
Os dados na logística tornaram-se um ativo, pois permitem ter conhecimento suficiente para projetar diferentes cenários e tomar decisões mais informadas. Compilar e analisar informações processáveis e de qualidade a partir de grandes quantidades de dados ou Big Data é mais importante do que nunca, pois proporciona uma vantagem competitiva às empresas. No entanto, ter um maior volume de dados nem sempre se traduz em melhores decisões, pois seu valor depende em grande parte de sua qualidade, confiabilidade e coerência. Assim, as empresas do supply chain com acesso a dados históricos e em tempo real podem se antecipar às tendências, identificar padrões e correlações, e impulsionar seus resultados.
A análise dos dados da cadeia de suprimentos traz inúmeros benefícios às organizações. Entre eles estão a otimização do estoque, o planejamento de rotas de picking e transporte, o monitoramento do desempenho, e a possibilidade de utilizar todas essas informações para implementar melhorias e aumentar a satisfação do cliente. Segundo a IBM, as organizações necessitam de uma alta qualidade de dados e uma estrutura sólida de governança para conectar a transformação digital em toda a empresa e obter maior valor de suas próprias informações e do ecossistema.
Quais tipos de dados existem na cadeia de suprimentos?
Os dados na logística e supply chain podem ser classificados em três grandes categorias: os mestres, que definem os elementos essenciais da operação; os transacionais, que coletam a atividade diária; e os externos, que proporcionam contexto e permitem antecipar alterações no ambiente. Esses dados podem provir tanto de sistemas internos de gerenciamento quanto de fontes externas ou dispositivos conectados. Em conjunto, formam um modelo estruturado em que as informações são organizadas e relacionadas para oferecer uma visão completa da cadeia de suprimentos.
De um ponto de vista mais operacional, os dados na logística compreendem diferentes âmbitos, entre os quais se destacam:
- Estoque. Referem-se a questões como os níveis de estoque, localizações, lotes ou os prazos de validade dos produtos.
- Demanda e vendas. Dados associados a pedidos, históricos de vendas e previsões, essenciais para planejar a atividade e ajustar os recursos.
- Operações. São as informações relativas a processos do armazém e a indicadores como produtividade ou eficiência.
- Transporte. Abrangem a organização de rotas, os prazos de entrega e o status dos envios.
- Fornecedores. Coletam aspectos como os prazos de fornecimento, a qualidade do serviço e o grau de cumprimento dos acordos.
- Rastreabilidade. Facilitam o acompanhamento do produto e das matérias-primas ao longo de todo o supply chain.
Soluções para a integração dos dados na cadeia de suprimentos
A integração dos dados logísticos baseia-se na conexão de diferentes sistemas e fontes, o que permite centralizá-los e garantir sua coerência em toda a cadeia de suprimentos. Nesse processo, cada ferramenta captura e gerencia vários tipos de dados que, ao serem unificados, oferecem uma visão global e em tempo real das operações.
Os sistemas de gerenciamento desempenham um papel crucial na compilação e processamento de dados na logística. Ao se conectarem entre si, soluções como os WMS, os ERP ou os TMS propiciam a troca de informações, garantindo que os dados fluam continuamente entre os diversos processos logísticos:
- Sistema de gerenciamento de armazém (WMS). Coletam dados de estoque, localizações, movimentos de estoque e preparação de pedidos. Ao se integrarem com outros sistemas, sincronizam as informações do armazém com as demais operações e melhoram a rastreabilidade em tempo real.
- Sistemas ERP. As plataformas ERP ou Enterprise Resource Planning centralizam as informações corporativas, desde dados administrativos e financeiros até aqueles derivados de pedidos, compras ou fornecedores. Sua integração com sistemas logísticos reforça a coerência entre o gerenciamento operacional e o planejamento empresarial.
- Warehouse Execution System (WES). Gerenciam dados relativos à atividade dos sistemas automáticos, como fluxos de trabalho, atribuição de tarefas ou desempenho.
- Warehouse Control System (WCS). Processa dados provenientes de equipamentos automatizados como transportadores ou transelevadores, em tempo real, e os transmitem aos níveis superiores para a execução eficiente das ordens.
- Sistemas TMS. Os Transport Management Systems planejam todos os processos logísticos relacionados à transferência de mercadorias, seja por via terrestre, marítima ou aérea. Gerenciam dados de rotas, envios, prazos de entrega e custos de transporte. Sua integração com os demais sistemas sincroniza a distribuição com o status do estoque e da demanda.
Para garantir a confiabilidade dos indicadores, as empresas podem apoiar-se em um software especializado e em tecnologias que integrem inteligência artificial. O uso de ferramentas de supply chain analytics sistematiza a interpretação de todos esses dados, transformando-os em informações úteis para identificar tendências, antecipar incidentes e otimizar a tomada de decisão.
Estratégia para o gerenciamento de dados logísticos
A empresa de consultoria McKinsey alerta que, diante da crescente complexidade das cadeias de suprimentos, as empresas exigem uma visibilidade baseada em dados, capacidades de análise mais rápidas e uma automação das informações mais inteligente para fortalecer sua resiliência.
Para evitar um gerenciamento caótico e alcançar a correta integração dos dados na logística, as empresas devem abordar o processamento a partir de uma perspectiva estratégica baseada em vários pilares:
- Definição de objetivos. Estabelecer metas claras e mensuráveis alinhadas à estratégia do negócio orienta o uso dos dados e evita um gerenciamento desorganizado ou sem objetivo.
- Colaboração entre diferentes áreas. A coordenação entre equipes internas, fornecedores e clientes facilita o acesso a dados relevantes e a visibilidade da cadeia de suprimentos.
- Integração e qualidade de dados. Unificar as informações provenientes de diferentes sistemas, padronizá-las e eliminar duplicações é essencial para garantir sua confiabilidade e uma tomada de decisão adequada.
- Implantação de infraestrutura tecnológica. Contar com programas escaláveis e seguros permite armazenar grandes volumes de dados na logística de maneira eficiente.
- Análise e melhoria contínua. O uso de ferramentas analíticas converte os dados em conclusões acionáveis para otimizar os processos logísticos.
Exemplo de gerenciamento de dados logísticos
O uso estratégico dos dados na logística melhora a eficiência e a rastreabilidade em inúmeros setores. Em seguida, mostramos alguns exemplos em ambientes reais:
Setor de alimentos
A análise da cadeia de suprimentos ajuda as empresas de alimentação e bebidas a resolver inúmeros desafios. A rastreabilidade dos produtos ao longo de todo o processo, desde a preparação até a entrega, proporciona maiores níveis de segurança e qualidade alimentar. Isso é especialmente relevante em um contexto em que os consumidores exigem cada vez mais informações sobre a origem e a composição dos alimentos.
Um exemplo é o fornecedor logístico Sud-Fresh, especializado em produtos alimentícios. A empresa instalou o sistema de gerenciamento de armazém Easy WMS da Mecalux para coordenar centenas de referências em diferentes níveis de temperatura. Graças à digitalização, há uma rastreabilidade completa desde o recebimento até o envio, com dados centralizados que otimizam a operação e garantem a segurança alimentar.
Setor da saúde e farmacêutico
Nos setores de saúde e farmacêutico, o gerenciamento de dados é essencial para garantir a autenticidade dos produtos e a continuidade do fornecimento. A rastreabilidade completa e o monitoramento em tempo real garantem o cumprimento das rigorosas normas vigentes, reduzem erros operacionais e garantem a segurança na entrega dos pedidos.
O varejista de dispositivos médicos Medis-M implementou o Easy WMS para registrar sua mercadoria e apoiar a preparação de mais de 2.000 pedidos mensais com rapidez e sem erros. O Easy WMS conhece todos os detalhes desses produtos distribuídos na Eslovênia e comunica ao ERP da empresa os movimentos de cada produto em tempo real.
Por outro lado, o grupo farmacêutico belga EPC Familia modernizou sua logística com o Easy WMS para gerenciar mais de 13.000 referências de farmácia e parafarmácia. Com um volume de dois milhões de receitas processadas por ano, a empresa prepara até 24.000 linhas de pedido diariamente e abastece, entre outros, uma centena de farmácias na Valônia, portanto a correta distribuição de seus produtos é vital.
Uma estratégia logística ‘data driven’
A digitalização constitui a espinha dorsal das organizações data-driven. Através de tecnologias como o Big Data e a inteligência artificial, as empresas podem gerenciar grandes volumes de informação, analisá-los em profundidade e identificar padrões e tendências, transformando os dados em conhecimento útil para a operação e tomada de decisão.
Nesse sentido, a utilização dessas ferramentas favorece a automação de processos, o que aumenta a agilidade e a capacidade de resposta da cadeia de suprimentos. Consequentemente, os dados se transformam em conhecimento acionável que impulsiona a otimização da operação e reforça a competitividade das empresas, consolidando-se como um pilar fundamental no gerenciamento logístico.
Os dados na logística em 5 perguntas
Quais são os dados na logística?
Os dados na logística são informações compiladas ao longo da cadeia de suprimentos que permitem analisar operações, antecipar cenários e tomar decisões. Sua análise ajuda a otimizar processos e aumentar o desempenho e a competitividade empresarial, além de reduzir erros, melhorar o planejamento e adaptar a operação às necessidades do mercado.
Como é um modelo de dados para a cadeia de suprimentos?
Um modelo de dados na cadeia de suprimentos é uma estrutura que organiza e relaciona as informações logísticas, como dados mestres, transacionais e externos, para oferecer uma visão completa das operações. Seu objetivo é auxiliar na tomada de decisão e garantir a coerência das informações, o que garante uma análise integrada e eficiente em toda a organização.
Quais são as fontes de dados na logística?
As fontes de dados na logística são as diferentes áreas da cadeia de suprimentos que geram informações úteis para o gerenciamento, tais como estoque, demanda, operações do armazém, transporte, fornecedores ou rastreabilidade dos produtos, proporcionando informações fundamentais para analisar o desempenho e otimizar cada etapa da operação logística.
Como os dados logísticos são integrados?
A integração dos dados logísticos consiste em conectar múltiplos sistemas e fontes para centralizá-los e garantir sua coerência. Isso possibilita compartilhar informações em tempo real e melhorar a visibilidade da cadeia de suprimentos, promovendo a coordenação entre processos e um gerenciamento mais ágil, preciso e eficiente das operações.
Quais sistemas existem para o gerenciamento de dados na cadeia de suprimentos?
Os principais sistemas para o gerenciamento de dados na cadeia de suprimentos são ferramentas como os WMS, os ERP, os WES, os WCS e os TMS, que centralizam, integram e supervisionam as informações logísticas. Essas soluções facilitam o controle das operações, otimizam os fluxos de trabalho e melhoram a tomada de decisão em ambientes logísticos complexos.