Dicas para melhorar a eficiência energética em centros de distribuição
Seguir dicas para melhorar a eficiência energética em esta centros de distribuição ajuda as empresas a otimizar o consumo de energia em suas instalações. Em um ambiente onde as organizações priorizam o desempenho de suas cadeias de suprimentos, as iniciativas relacionadas à economia e ao melhor aproveitamento dos recursos adquirem uma relevância crescente.
Neste artigo, analisamos os principais fatores que influenciam o consumo de recursos e apresentamos dez medidas para melhorar a eficiência energética em armazéns.
Por que é importante a eficiência energética nos centros de distribuição?
A eficiência energética tornou-se uma prioridade para os centros de distribuição e armazéns. Em um contexto marcado pela volatilidade dos preços, o objetivo é utilizar a energia da forma mais eficiente possível, realizando as mesmas operações com menos recursos e sem comprometer a produtividade ou a qualidade do serviço.
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), desde 2019, dois terços do crescimento da demanda energética mundial correspondem à indústria. A logística exige o funcionamento contínuo de diversos equipamentos, tornando os armazéns ambientes com elevada demanda operacional. A iluminação, os sistemas de climatização e de refrigeração, as empilhadeiras e a infraestrutura tecnológica são apenas algumas das fontes de consumo energético.
Um gerenciamento eficiente da energia proporciona benefícios que ultrapassam as vantagens econômicas. Além de reduzir custos e emissões, facilita o cumprimento dos objetivos ambientais. Também contribui para avançar nas estratégias de descarbonização e sustentabilidade que vêm ganhando cada vez mais relevância no setor logístico e industrial.
10 dicas para melhorar a eficiência energética em um centro de distribuição ou armazém
Melhorar a eficiência energética não depende de uma única solução, mas da combinação de diferentes medidas adaptadas a cada necessidade. A seguir, apresentamos alguns tips ou dicas que permitem melhorar a eficiência de um centro de distribuição sem afetar sua produtividade.
1. Substituir a iluminação tradicional por tecnologia LED
Uma lâmpada halógena gera aproximadamente 20 lúmens por watt, enquanto os LED oferecem em média cerca de 100 lm/W, podendo superar os 200 lm/W. Na prática, isso significa que os LED proporcionam o mesmo nível de iluminação utilizando muito menos energia do que as tecnologias tradicionais. Também se destacam por sua longa vida útil, o que limita a necessidade de substituir luminárias e fazer intervenções de manutenção. Isso é benéfico em galpões de grande porte.
O livro Warehousing 5.0, dos professores Eric Grosse e Christoph Glock, destaca que a atualização da iluminação convencional por soluções LED gera uma economia energética superior a 50% e, dependendo das características da instalação, o investimento é amortizado em menos de três anos.
2. Instalar sensores de movimento e sistemas de iluminação inteligente
Os sensores de movimento e os sistemas de iluminação inteligente detectam a presença de pessoas ou equipamentos de movimentação e adaptam a luz às necessidades reais de cada atividade.
Essa solução evita que as luzes permaneçam acesas desnecessariamente. Por isso é comum utiliza-la em corredores de armazenamento, áreas de armazenamento ou espaços com uma ocupação variável ao longo da jornada.
A iluminação inteligente mais avançada pode ser integrada com tecnologias da Internet das Coisas (IoT), permitindo coletar dados sobre a ocupação de diferentes áreas do armazém e centralizar o gerenciamento das luzes. Graças a essa conectividade, é possível supervisionar o status do sistema, programar horários de funcionamento e detectar oportunidades de economia de energia com base nos dados.
3. Utilizar armazéns automáticos sem iluminação
Os armazéns automáticos manuseiam a mercadoria exigindo intervenção humana mínima ou até mesmo inexistente. Consequentemente, não é necessário manter a iluminação acesa permanentemente em determinadas áreas, o que reduz o consumo de energia proveniente da iluminação.
O armazém sem iluminação, também conhecido como lights-out warehouse ou dark warehouse, baseia-se no uso de transelevadores, transportadores, robôs móveis autônomos e sistema de gerenciamento de armazém para coordenar os movimentos dos produtos.
Além da economia energética, a automação se traduz em maior produtividade, máxima precisão e uma operação 24/7. Essa solução é comum em câmaras de congelamento ou outros ambientes com elevados custos energéticos.
4. Melhorar o isolamento térmico do edifício
Um bom isolamento é uma das medidas mais eficazes para a eficiência energética de um armazém. Ao manter condições estáveis no interior, o sistema de aquecimento, a ventilação, o ar-condicionado ou a refrigeração exigem menos energia para atingir e conservar a temperatura desejada. Por conseguinte, permite reduzir os custos operacionais relacionados à climatização.
Por exemplo, os tetos desempenham um papel relevante. Uma cobertura adequada ajuda a manter condições ambientais estáveis no interior do armazém. Segundo a Global Cold Chain Alliance (GCCA), associação internacional de empresas de logística a temperatura controlada, entre as soluções mais utilizadas estão os painéis isolantes de poliisocianurato, que se destacam devido à sua capacidade de reduzir às perdas térmicas e resistir a umidade.
As portas também desempenham um papel fundamental na eficiência energética dos armazéns. A GCCA afirma que até 85% das perdas em câmaras refrigeradas decorrem da troca de ar entre áreas. As portas industriais, como as portas verticais de painel único, atenuam essas infiltrações ao oferecer níveis elevados de isolamento e estanqueidade.
As docas de carga também podem ser pontos críticos. As coberturas e vedações de espuma para docas proporcionam um fechamento hermético entre o reboque e o armazém durante as operações de carga e descarga. Trata-se de sistemas de isolamento ao redor da porta que minimizam a entrada de ar exterior e as perdas de temperatura. Alguns modelos incorporam cortinas laterais com ganchos que cobrem o espaço próximo às dobradiças do reboque, um dos pontos mais propensos às infiltrações de ar.
5. Otimizar os sistemas de climatização (HVAC)
Os sistemas de aquecimento, ventilação e ar-condicionado (mais conhecidos pela sigla em inglês HVAC) geralmente representam uma parte considerável do consumo de energia de qualquer edifício. Em centros de distribuição, otimizar seu funcionamento permite economizar energia ao manter as condições adequadas para trabalhadores e mercadorias.
Segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE), a implementação de sistemas de controle de alto desempenho pode reduzir o consumo energético dos sistemas HVAC em edifícios comerciais em até 30%. Trata-se de sensores, medidores e softwares que supervisionam os equipamentos e ajustam parâmetros como aquecimento, refrigeração ou ventilação dependendo da instalação.
Na cadeia de suprimentos, uma das medidas mais eficazes consiste em realizar manutenção periódica para prevenir a perda de desempenho. Por exemplo, os termostatos programáveis ajustam a climatização de acordo com a ocupação e as necessidades de cada área do armazém.
6. Sistemas de armazenamento compacto
Os sistemas de armazenamento compacto são eficazes para a eficiência energética, pois exigem menos espaço para corredores e aumentam a densidade de armazenamento. Aproveitar a superfície disponível permite concentrar mais mercadoria, reduzindo os gastos associados à iluminação e refrigeração.
A compactação também favorece a implantação de soluções automatizadas. Ao concentrar um maior número de localizações em uma mesma superfície, tecnologias como os transelevadores executam os movimentos de entrada e saída de mercadoria com eficiência, otimizando o consumo energético vinculado às operações de armazenamento.
7. Instalar equipamentos e máquinas energeticamente eficientes
A escolha de equipamentos eficientes tem um impacto significativo no armazém. Motores elétricos, transportadores, transelevadores ou elevadores de paletes fazem parte do dia a dia de muitos centros de distribuição, por isso, o objetivo é conter custos sem afetar o desempenho.
Segundo a Electric Motor Systems Platform, iniciativa impulsionada pela Agência Internacional da Energia para promover a eficiência dos motores elétricos, essas tecnologias representaram 53% do consumo mundial de eletricidade em 2023. No setor industrial, esse percentual chegou a 72%, o que evidencia a importância de utilizar motores de alta eficiência.
Selecionar equipamentos avançados reduz os custos operacionais sem comprometer o desempenho. Algumas soluções incorporam tecnologias de recuperação energética. É o caso dos transelevadores para paletes da Mecalux, com regeneradores que aproveitam a energia gerada durante as manobras de descida e desaceleração para devolvê-la à rede e gerar uma economia de 15% a 20%.
8. Incorporar energia solar e outras fontes renováveis
A incorporação de fontes renováveis reduz a dependência da rede elétrica e mitiga o impacto das flutuações dos preços. Entre as alternativas disponíveis, a energia solar se distingue devido à sua facilidade de integração ás instalações graças à possibilidade de colocar painéis solares nas amplas superfícies de cobertura disponíveis em diversos armazéns e centros de distribuição.
A Agência Internacional da Energia prevê que o uso de energia solar continuará crescendo, em todo o mundo, até 2030. Essa tendência está impulsionando a implantação de placas fotovoltaicas para autoconsumo na indústria, onde a geração de eletricidade renovável reduz as emissões ligadas à atividade.
Um estudo publicado na revista Buildings analisou a integração de sistemas fotovoltaicos em um parque logístico e os resultados mostraram que um gerenciamento eficiente da energia solar contribui para aproveitar a eletricidade gerada na própria instalação. No caso analisado, os custos apresentam uma redução que se situa entre 9,26% e 17,02%.
9. Automatizar processos intralogísticos
A automação dos processos intralogísticos contribuem para melhorar a eficiência. Os transportadores, os robôs móveis e o software de armazém (como o Easy WMS da Mecalux) impulsionam os movimentos de mercadoria.
Automatizar tarefas repetitivas e coordenar as operações com maior precisão permite minimizar os deslocamentos desnecessários, evitar percursos sem carga e otimizar o uso de recursos. A robótica aumenta a produtividade no armazenamento e transporte interno.
10. Reduzir o consumo durante períodos de inatividade
Muitos centros de distribuição continuam utilizando energia mesmo quando não estão operando. Equipamentos de iluminação, climatização, sistemas informáticos ou máquinas auxiliares podem permanecer ligados fora do horário de trabalho e gerar um gasto desnecessário.
As estratégias mais racionais incluem apagar a iluminação de áreas que não estejam em uso, ativar o modo de suspensão dos equipamentos de movimentação ou limitar a atividade dos sistemas de climatização. Também é possível programar determinadas tarefas, como carregar as empilhadeiras elétricas, para serem realizadas em momentos de menor demanda.
Como a automação reduz o consumo de energia
A automação não só melhora a capacidade operacional de um armazém, como também contribui para o uso eficiente da energia. Os sistemas automáticos executam os movimentos de mercadoria de forma precisa e coordenada. Isso minimiza os deslocamentos desnecessários, e resulta em um uso mais eficiente da energia na intralogística.
Graças a sensores, softwares de gerenciamento e sistemas de controle, as empresas podem monitorar os equipamentos em tempo real e ajustar o uso dos recursos de acordo com as necessidades da instalação.
Por tudo isso, a automação constitui uma ferramenta estratégica para avançar rumo a armazéns mais sustentáveis e preparados para enfrentar o aumento dos custos. A automação está ajudando inúmeras empresas a conter o consumo de energia. Alguns exemplos de projetos desenvolvidos com a colaboração da Mecalux em que a eficiência desempenhou um papel relevante:
- Cabezuelo Foods. Diante do crescimento sustentado de sua atividade, essa empresa de alimentos ultracongelados implantou um armazém autoportante a -25 ºC. O Pallet Shuttle automático com transelevador da Mecalux distribui o frio entre um maior número de paletes. “Automatizamos porque percebemos que essa seria a melhor solução para lidar com o crescimento previsto para os próximos cinco anos”, afirmam na empresa.
- Bem Brasil. “O sistema Pallet Shuttle automático da Mecalux nos proporciona benefícios como agilidade nos processos de expedição, maior segurança no manuseio de alimentos, controle online do estoque e economia no consumo de energia”, indica esta empresa especializada na produção em batatas congeladas pré-fritas. A empresa tem dois armazéns de congelamento com capacidade para cerca de 66.000 paletes de matérias-primas e produtos acabados. A combinação do Pallet Shuttle e do software Easy WMS reforçou a logística e garantiu a rastreabilidade.
- Clavo Food Factory. O 4-Way Pallet Shuttle da Mecalux agiliza as entradas e saídas e reduz o consumo energético. "Dobramos a capacidade de armazenamento e reduzimos tanto o tempo inativo quanto os custos", indicam nessa empresa de alimentos refrigerados e congelados de quarta e quinta gama. Dez carros autônomos circulam pelos corredores e mudam de nível de forma coordenada para manusear cada palete quando a operação exigir.
A eficiência energética como vantagem competitiva
A eficiência energética representa um eixo central no gerenciamento de armazéns e centros de distribuição. Além do aspecto econômico, a otimização adequada da energia fortalece a resiliência das operações diante da volatilidade dos preços e melhora a sustentabilidade da logística. Atingir esses objetivos não depende de uma única medida, mas da combinação de diferentes soluções adaptadas às necessidades de cada instalação. As dicas oferecidas neste artigo podem servir como ponto de partida para avançar rumo a armazéns mais eficientes, competitivos e preparados para o futuro.
A eficiência energética deve ser abordada como uma estratégia de longo prazo, não como uma ação pontual, por meio das seguintes práticas:
- Analisar as principais fontes de consumo energético do armazém para identificar oportunidades de melhoria.
- Priorizar soluções que permitam diminuir o consumo sem afetar a produtividade ou o nível de serviço.
- Otimizar a iluminação, a climatização e o isolamento térmico para reduzir a demanda de energia da instalação.
- Optar por equipamentos avançados, sistemas de armazenamento compactos e fontes de energia renovável.
- Utilizar a automação e a digitalização para otimizar os movimentos de mercadoria.
- Combinar tecnologia e boas práticas energéticas para construir armazéns mais eficientes e competitivos.
FAQ: a eficiência energética em armazéns em 5 perguntas
O que é a eficiência energética em um centro de distribuição?
A eficiência energética em um centro de distribuição consiste em reduzir o consumo de energia sem afetar a produtividade ou o nível de serviço. Para isso, a iluminação, climatização, equipamentos de movimentação e operações de armazenamento são otimizados com o objetivo de reduzir custos.
Quais são os benefícios da eficiência energética em logística?
A eficiência energética em logística permite reduzir custos operacionais e emissões associadas ao transporte e armazenamento. Também ajuda a melhorar a competitividade das empresas, aumentar a resiliência diante da volatilidade dos preços da energia e avançar nos objetivos de sustentabilidade.
Quais fatores influenciam no consumo energético de um armazém?
O consumo de energia de um armazém depende de diversos fatores, entre eles a iluminação, os sistemas de climatização e refrigeração, os equipamentos de movimentação, o nível de automação e o isolamento térmico do edifício. Também influenciam a superfície da instalação, as horas de funcionamento e as operações.
Por que os centros de distribuição consomem tanta energia?
Os centros de distribuição consomem grandes quantidades de energia porque exigem o funcionamento contínuo de iluminação, climatização, sistemas de refrigeração, equipamentos de movimentação e tecnologias de automação. Além disso, muitas instalações operam durante longas jornadas ou de forma ininterrupta para garantir a disponibilidade de mercadorias e o cumprimento dos prazos de entrega.
Qual a diferença entre eficiência energética e economia de energia?
A eficiência energética consiste em realizar a mesma atividade utilizando menos energia e mantendo o mesmo nível de desempenho. No entanto, a economia de energia está relacionada à redução do consumo, seja através de tecnologias mais eficientes ou reduzindo o uso de determinados equipamentos ou processos. Em outras palavras, a eficiência energética busca otimizar o consumo, enquanto a economia visa reduzi-lo.